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Alimentação e suplementação

Para que serve o colostro na amamentação?

O colostro na amamentação protege e alimenta o recém-nascido nos primeiros dias, antes da descida do leite. Entenda a função e quanto tempo dura.

Equipe Mãe & Bebê5 min de leitura
Mão de um recém-nascido segurando o dedo de um adulto, nos primeiros dias de vida

Nos primeiros dias depois do parto, muita mãe se assusta ao perceber que o peito está produzindo pouco leite, de cor amarelada e consistência grossa. Antes de pensar que algo está errado, vale entender o que é o colostro na amamentação: é essa substância concentrada, produzida em pequena quantidade, que alimenta o recém-nascido antes da descida do leite maduro.

A dúvida é comum porque o volume parece pequeno demais para matar a fome de um bebê. O estômago do recém-nascido também é minúsculo nesses primeiros dias, do tamanho aproximado de uma cereja no primeiro dia de vida. O encaixe entre a quantidade de colostro e a capacidade do estômago do bebê não é coincidência.

Este texto explica o que é o colostro, para que serve, quanto tempo dura e quando vale procurar ajuda se a amamentação não estiver fluindo como esperado.

O que é o colostro?#

Colostro é o primeiro líquido produzido pelas glândulas mamárias, geralmente ainda durante a gravidez e nos primeiros dias após o parto, antes da descida do leite maduro. Tem cor que varia do amarelo intenso ao quase transparente, textura mais grossa que a do leite comum, e sai em gotas, não em jato.

Mesmo sendo pouco, cada gota concentra proteínas, anticorpos e fatores de crescimento que o recém-nascido não obtém de outra forma com a mesma eficiência nesse momento.

Para que serve o colostro na amamentação?#

O colostro na amamentação cumpre três funções que o leite maduro não repete exatamente da mesma maneira.

A primeira é imunológica. Ele carrega anticorpos da mãe, em especial a imunoglobulina A, que forma uma camada de proteção na mucosa intestinal do bebê e ajuda a bloquear a entrada de vírus e bactérias enquanto o sistema imune dele ainda está em formação.

A segunda é digestiva. O colostro tem efeito levemente laxativo e ajuda o bebê a eliminar o mecônio, aquele primeiro cocô escuro e pegajoso. Isso também favorece a eliminação de bilirrubina nas primeiras evacuações, o que ajuda a prevenir a icterícia.

A terceira é nutricional, mas numa lógica diferente da do leite maduro: o colostro vem concentrado, então pouca quantidade já entrega o que o bebê precisa nesses primeiros dias, sem sobrecarregar um sistema digestivo que ainda está amadurecendo.

Quanto tempo dura o colostro até a descida do leite?#

O colostro costuma durar de dois a cinco dias depois do parto, variando de mãe para mãe. Depois desse período, entra o leite de transição, mais claro e em maior volume, até o leite maduro se estabelecer, normalmente entre o décimo e o décimo quinto dia.

A chamada "descida do leite" costuma vir acompanhada de uma sensação de peito mais cheio e pesado. Primíparas, cesáreas e partos com intercorrências podem levar um pouco mais para chegar a esse ponto, o que não significa, sozinho, que algo deu errado.

Como saber se o bebê está recebendo colostro suficiente?#

Dá para acompanhar pela fralda e pelo peso. Nas primeiras 24 horas, espera-se pelo menos uma fralda molhada e uma evacuação de mecônio. A partir do segundo e terceiro dia, o número de fraldas molhadas tende a subir, acompanhando o aumento gradual da quantidade de colostro.

Uma perda de peso de até 7% a 10% em relação ao peso de nascimento é considerada normal nos primeiros dias e costuma se recuperar até a segunda semana de vida. Perda acima disso, ou ausência de evacuação e de urina nas primeiras 24 horas, merece avaliação do pediatra.

Como garantir uma boa pega e aproveitar bem o colostro#

  1. Comece a amamentação ainda na primeira hora de vida, se o parto e as condições de mãe e bebê permitirem: é quando o reflexo de sucção costuma estar mais forte.
  2. Ofereça o peito em livre demanda, sem contar as horas. Nos primeiros dias, o normal é de oito a doze mamadas em 24 horas.
  3. Confira a pega antes de cada mamada: boca bem aberta, pegando boa parte da aréola, e não só o bico do peito.
  4. Mantenha contato pele a pele sempre que possível entre as mamadas. Isso estimula o reflexo de sucção e ajuda a regular a temperatura e a frequência cardíaca do bebê.
  5. Evite complementar com fórmula sem indicação médica só porque o volume de colostro parece pouco. O estômago do recém-nascido é pequeno, e o colostro entrega o que ele precisa nessa fase.

Quando procurar ajuda#

Procure o pediatra ou um profissional de apoio à amamentação se o bebê não molhar nenhuma fralda em 24 horas, não evacuar o mecônio até o segundo dia de vida, perder mais de 10% do peso de nascimento, ou se a mãe sentir dor intensa e persistente ao amamentar, além do desconforto inicial esperado nos primeiros dias.

Esses sinais não significam que a amamentação falhou. Na maioria das vezes, um ajuste na pega ou na frequência das mamadas já resolve, com orientação de quem acompanha o puerpério de perto.

O colostro passa rápido, mas faz um trabalho que nenhuma outra fase da amamentação repete da mesma forma. Entender esse período ajuda a atravessar os primeiros dias sem a sensação de estar fazendo algo errado só porque o peito ainda não "desceu".

Se a dúvida agora é sobre a mamada em si, vale conferir como identificar a pega correta da amamentação e, logo depois, quantas vezes é esperado amamentar o recém-nascido por dia.

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