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Saúde da mãe

Quais dores na gravidez são normais?

Entenda quais dores na gravidez são esperadas em cada trimestre, o que ajuda a aliviar o incômodo e quando o sintoma pede atenção do obstetra.

Equipe Mãe & Bebê5 min de leitura
Gestante caminhando ao ar livre, de mãos dadas com o filho e o companheiro ao lado

Sentir dores novas na gravidez assusta, principalmente na primeira gestação. Uma pontada na virilha, um peso nas costas ou uma cãibra no meio da noite fazem a cabeça correr direto para o pior cenário. A boa notícia é que a maioria das dores na gravidez tem explicação simples: o corpo está mudando de forma rápida para acomodar o bebê que cresce.

Isso não significa que toda dor deva ser ignorada. Existe uma linha entre o desconforto esperado de cada trimestre e o sintoma que pede uma ligação para o obstetra. Este texto separa os dois grupos, explica por que cada dor aparece e mostra o que costuma aliviar o incômodo do dia a dia.

Cada gestação também tem seu próprio ritmo. Duas mulheres na mesma semana de gravidez podem sentir intensidades bem diferentes, e isso sozinho não indica que uma esteja fazendo algo errado ou que a outra tenha motivo de preocupação. O que importa é acompanhar como a dor se comporta com o passar dos dias.

Por que o corpo dói tanto na gravidez?#

O corpo produz mais de um hormônio para preparar o parto, e um deles, a relaxina (que afrouxa ligamentos e articulações), deixa a região pélvica e a lombar mais soltas do que o normal. Soma-se a isso o peso que aumenta na frente do corpo, o centro de gravidade que desloca e a postura que muda sem que você perceba, com os ombros puxando para trás para compensar a barriga.

O resultado é dor lombar, dor no quadril e, às vezes, uma sensação de peso nas pernas no fim do dia. Os ligamentos que sustentam o útero também esticam à medida que ele cresce, e é esse alongamento que causa boa parte das pontadas na lateral da barriga. Nenhum desses mecanismos, isolado, é motivo de alarme.

Quais dores na gravidez são normais em cada trimestre?#

No primeiro trimestre, cólicas leves parecidas com as da menstruação são comuns, ligadas à implantação e ao crescimento inicial do útero. Também é comum sentir sensibilidade nos seios e, em alguns dias, uma dor surda na parte baixa da barriga sem motivo aparente.

No segundo trimestre aparece a dor ligamentar redonda: uma pontada rápida na virilha ou na lateral da barriga quando você muda de posição depressa, se levanta ou espirra. Ela passa em segundos e some com o repouso, o que ajuda a diferenciar de uma dor mais séria.

No terceiro trimestre, a lombar costuma piorar, junto com dor pélvica ao caminhar e cãibras nas panturrilhas à noite. Também é essa a fase em que o nervo ciático pode ficar comprimido pelo peso do bebê, causando uma dor que desce da lombar até a perna. Formigamento nas mãos, principalmente ao acordar, é comum perto do fim da gravidez, por causa do inchaço que aperta os nervos do punho. Azia depois das refeições segue o mesmo padrão: cresce junto com a barriga, porque o útero empurra o estômago para cima, e melhora ao evitar refeições muito grandes antes de deitar.

Como aliviar as dores comuns do dia a dia#

Algumas mudanças simples reduzem boa parte do desconforto sem nenhum medicamento:

  1. Troque de posição a cada 30 minutos quando for passar muito tempo sentada ou em pé, para não deixar o mesmo grupo de músculos sob carga o dia inteiro.
  2. Durma de lado, com um travesseiro entre os joelhos, para tirar peso da lombar e do quadril e manter a coluna alinhada durante a noite.
  3. Use sapato baixo e estável. Salto alto empurra ainda mais o peso para a frente do corpo e sobrecarrega a lombar.
  4. Faça alongamentos leves de quadril e panturrilha antes de dormir, o que reduz a frequência das cãibras noturnas.
  5. Beba água ao longo do dia, já que a desidratação piora cãibra e dor de cabeça.
  6. Evite ficar muito tempo com as pernas cruzadas, postura que aumenta a pressão na região pélvica já sobrecarregada.

Quando a dor deixa de ser normal#

Alguma dor na gravidez sai do território esperado quando muda de padrão: fica muito mais intensa, vem acompanhada de outro sintoma ou não passa com repouso. Uma dor que era leve e vira forte de um dia para o outro, ou que se concentra sempre do mesmo lado da barriga, também merece atenção redobrada.

Esses sinais podem apontar desde uma pré-eclâmpsia até um trabalho de parto prematuro, e o diagnóstico correto só sai com exame. Não faz mal nenhum ligar para o pronto atendimento por precaução e ouvir que está tudo bem. É bem pior o caminho contrário.

O parceiro também pode ajudar#

Boa parte da dor lombar e do cansaço piora quando a gestante segue com a mesma carga de tarefas domésticas de antes da gravidez. Dividir de forma mais clara quem carrega peso, quem faz a faxina pesada e quem cuida das compras do mês tira pressão do corpo sem custar nada.

Um parceiro que participa das consultas também aprende a reconhecer os sinais de alerta junto com a gestante, o que ajuda na decisão de procurar ajuda rápido quando algo foge do padrão.

Quando procurar ajuda#

Vale ligar para o obstetra sempre que a dor for diferente de tudo que você já sentiu, mesmo sem nenhum dos sinais listados acima. Você conhece seu corpo melhor do que qualquer lista, e o profissional prefere descartar um problema por telefone a receber você tarde demais no pronto-socorro. Na dúvida entre esperar e ligar, ligue.

A recuperação depois do parto traz outro conjunto de dores, e vale se preparar para elas com antecedência. Para entender o que esperar nas primeiras semanas com o bebê nos braços, veja quanto tempo dura a recuperação pós-parto.

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