Mãe & Bebê
Saúde e desenvolvimento

O que fazer no engasgo do bebê?

O engasgo do bebê assusta qualquer família, mas agir na hora certa faz diferença. Veja os sinais de alerta, os passos de primeiros socorros e como prevenir.

Equipe Mãe & Bebê5 min de leitura
Mãe sorridente segurando o bebê no colo em um jardim

O engasgo do bebê é um dos medos mais comuns de quem cuida de uma criança pequena, principalmente depois que a introdução alimentar começa. Basta um pedaço de comida ir para o lugar errado, ou um objeto pequeno parar na boca, para o coração de qualquer mãe disparar.

A boa notícia é que existe um jeito certo de agir, e ele muda bastante dependendo do que está acontecendo com o bebê naquele momento. Saber a diferença entre um engasgo que passa sozinho e uma obstrução real das vias aéreas evita tanto o pânico desnecessário quanto a demora em pedir ajuda quando ela é realmente necessária.

Este texto explica os sinais, os passos de primeiros socorros para bebês de até 1 ano e o momento em que a situação exige atendimento médico imediato.

Por que o engasgo do bebê acontece#

O reflexo de engasgo, o corpo empurrando de volta algo que sente como ameaça na garganta, é imaturo nos primeiros meses de vida e vai se ajustando aos poucos, à medida que o bebê aprende a mastigar e engolir. Isso é diferente de sufocamento, que acontece quando alguma coisa bloqueia de fato a passagem de ar.

Entre 6 e 12 meses, quando a introdução alimentar avança e o bebê começa a testar pedaços maiores de comida, o risco de engasgo aumenta naturalmente. Depois de 1 ano, o perigo maior costuma vir de objetos pequenos, como moedas, peças de brinquedo ou balas inteiras.

Como diferenciar engasgo de sufocamento#

Um engasgo comum vem acompanhado de tosse, com o bebê emitindo algum som e conseguindo respirar entre um acesso e outro. A pele mantém a cor normal e, na maioria das vezes, o próprio corpo resolve sozinho em poucos segundos.

Já a obstrução das vias aéreas tem sinais bem diferentes: o bebê para de fazer barulho, não consegue tossir nem chorar, os lábios e o rosto começam a ficar arroxeados e ele faz esforço visível para respirar sem sucesso. Esse quadro pede ação imediata, sem espera.

Esse segundo momento costuma durar poucos segundos, mas parece muito mais longo para quem está por perto. Manter a calma e lembrar a sequência de passos ajuda mais do que tentar decidir tudo na hora.

O que fazer no engasgo do bebê#

Quando o bebê ainda tosse e consegue emitir som, o ideal é ficar por perto, incentivar a tosse e não interferir. Intervir demais nesse momento pode atrapalhar o próprio mecanismo do corpo de expulsar o que incomoda.

Se os sinais forem de obstrução real, sem choro nem tosse, siga estes passos com bebês de até 1 ano:

  1. Peça para alguém ligar para o serviço de emergência (192, no Brasil) enquanto você começa o atendimento.
  2. Sente-se e apoie o bebê de bruços sobre o antebraço, com a cabeça mais baixa que o tronco e o queixo firme na sua mão.
  3. Aplique cinco golpes firmes entre as escápulas, a parte óssea atrás dos ombros, usando a base da mão.
  4. Se o objeto não sair, vire o bebê de barriga para cima, ainda apoiado no antebraço, e aplique cinco compressões no meio do peito, um dedo abaixo da linha dos mamilos, com dois dedos.
  5. Alterne os dois movimentos, cinco nas costas e cinco no peito, até o objeto sair ou o bebê voltar a respirar normalmente.
  6. Se o bebê perder a consciência, comece a reanimação cardiopulmonar e mantenha o chamado de emergência ativo.

Esses passos valem para bebês de colo. Depois de 1 ano, a técnica muda e passa a incluir a manobra de Heimlich adaptada, que costuma ser ensinada em cursos de primeiros socorros infantis.

Como prevenir o engasgo em casa#

Prevenção reduz bastante o risco, mesmo sem eliminar por completo. Alguns cuidados simples fazem diferença no dia a dia:

  • Corte uvas, tomates-cereja e salsichas em tiras compridas, nunca em rodelas.
  • Evite oferecer pipoca, amendoim inteiro e balas duras antes dos 4 anos.
  • Mantenha o bebê sentado durante as refeições, nunca deitado ou andando com comida na boca.
  • Guarde moedas, pilhas e peças pequenas de brinquedo fora do alcance.
  • Acompanhe as refeições de perto, principalmente nos primeiros meses de introdução alimentar.

Para saber quais alimentos merecem atenção redobrada em cada fase, vale conferir quais alimentos têm risco de engasgo no bebê.

Quando procurar ajuda#

Ligue para o serviço de emergência sempre que o bebê parar de tossir, chorar ou fazer barulho durante o engasgo, ou se a pele ficar arroxeada. Também vale procurar atendimento depois de qualquer episódio mais forte, mesmo que o objeto já tenha saído sozinho, porque um pedaço menor pode ter ficado nas vias aéreas.

Tosse persistente, respiração com chiado ou febre nas horas seguintes a um engasgo também são motivo para levar o bebê ao pronto-socorro. Outros sinais de alerta do dia a dia do bebê estão reunidos na seção de saúde e desenvolvimento do blog.

Guardar esses passos de cabeça, e treinar mentalmente antes de precisar, é o que transforma um susto em uma situação sob controle. Com o tempo, a rotina das refeições fica mais tranquila, e o medo do engasgo dá lugar a cuidados práticos que já fazem parte do dia a dia. Se sobrar alguma dúvida sobre a fase de introdução alimentar em que o bebê está, vale revisar com calma o que costuma ser oferecido em cada mês antes de montar o cardápio da semana.

Continue lendo